O diretor-executivo da AstraZeneca, Sir Pascal Soriot, conquistou enorme credibilidade, mas um potencial mega-merge de US$ 400 bilhões com a Bristol Myers Squibb ameaça desviar uma fórmula vencedora. O sucesso da empresa foi construído com base em ciência, não em engenharia financeira, e um grande acordo nos Estados Unidos poderia comprometer décadas de valor para os acionistas.
Por que o acordo com a BMS é um erro estratégico
Desde derrotar a Pfizer em 2014, a AstraZeneca prosperou sob a liderança de Soriot. A aquisição de US$ 39 bilhões da Alexion em 2021, embora cara, ampliou estrategicamente a atuação em doenças raras — um movimento que se alinha ao ethos da empresa, focado em ciência. No entanto, uma proposta de combinação com a BMS, avaliada em US$ 400 bilhões, levanta sérias preocupações.
O problema central está na necessidade de cortar bilhões de custos para justificar o prêmio. Historicamente, Soriot tem visto esses exercícios corporativos como anti-paciente, priorizando inovação em vez de cortes de custos. Por que ele mudaria de rumo agora, especialmente quando a empresa está indo bem de forma orgânica?
O problema do “penhasco” de patentes
A BMS enfrenta um iminente “penhasco” de patentes com seu medicamento de câncer de maior destaque, Opdivo, cujas vendas devem despencar até 2030. Adquirir a BMS sobrecarregaria a AstraZeneca com esse desafio, e não o aliviaria. O apelo teórico de construir um colosso global de oncologia é ofuscado pelos riscos práticos de dívida e integração.
Comparação de dados: AstraZeneca vs. BMS
| Métrica | AstraZeneca | Bristol Myers Squibb |
|---|---|---|
| Valor de mercado (aprox.) | US$ 200 bi | US$ 133 bi |
| Principal área de crescimento | Oncologia, doenças raras | Imuno-oncologia |
| Risco do “penhasco” de patentes | Moderado | Alto (Opdivo) |
| Filosofia corporativa | Orientada pela ciência | Orientada por fusões |
Como observou o analista da Jefferies, “Se existe uma empresa que não precisa de engenharia financeira, é a AZ, na nossa visão.” O pipeline orgânico da AstraZeneca é robusto, e um mega-acordo apenas diluiria o foco e aumentaria a alavancagem.
Principais conclusões para investidores
- O sucesso da AstraZeneca é baseado em P&D interno, não em aquisições.
- O acordo com a BMS adicionaria dívidas significativas e riscos de integração.
- Assumir o “penhasco” de patentes do Opdivo é uma grande desvantagem.
- O legado de Soriot pode ser manchado por uma aventura financeira fracassada.
- Manter o foco em ciência e em resultados para pacientes deve continuar sendo a prioridade.
O que a AstraZeneca deveria fazer em vez disso?
Em vez de buscar um mega-merge, a AstraZeneca deveria continuar investindo em seu pipeline inovador, especialmente em oncologia e doenças raras. A empresa também pode buscar aquisições menores e direcionadas que complementem suas forças atuais, como fez com a Alexion.
Além disso, devolver capital aos acionistas por meio de dividendos e recompras seria mais gerador de valor do que uma aposta arriscada de US$ 400 bilhões. O mercado recompensou a AstraZeneca por sua disciplina; abandonar isso agora seria um erro estratégico.