Os curadores do City & Guilds London Institute estão enfrentando sérias acusações de tentar fugir da responsabilidade após uma "falha catastrófica de governança" relacionada à venda de £166 milhões do negócio de treinamento e credenciamento da instituição de caridade. Membros da entidade de 148 anos votaram esmagadoramente no mês passado por uma investigação independente sobre a venda de outubro ao operador privado PeopleCert, mas o processo supostamente estagnou. Essa controvérsia desencadeou uma investigação estatutária da Comissão de Caridades e levantou questões sobre a administração de um fundo legado destinado a apoiar a educação profissional.
A venda, inicialmente saudada como um "acordo histórico" pela ex-presidente Ann Limb e pela CEO Kirstie Donnelly, criou uma nova empresa privada, a City & Guilds Ltd, de propriedade da PeopleCert. A instituição de caridade renomeada, City & Guilds London Institute (CGLI), pretendia usar o ganho financeiro inesperado para obras beneficentes, incluindo o financiamento de treinamento profissional para pessoas necessitadas. No entanto, uma apresentação de dezembro para investidores da PeopleCert revelou planos que, desde então, geraram preocupação generalizada entre membros e especialistas em governança.
Acusações de Obstáculos e Falta de Responsabilidade
Neil Bates, um membro eleito do conselho da City & Guilds, que nomeia e aconselha os curadores, expressou fortes críticas. "Por que eles não seriam responsáveis pelas decisões tomadas se tudo estivesse dentro da lei? É chocante que tenha havido uma falha catastrófica de governança – e, subsequentemente, uma falha de responsabilidade", disse ele. Bates enfatizou que o conselho não pode destituir curadores a menos que má conduta seja comprovada, acrescentando: "Há £166 milhões – isso é o que resta do legado da City & Guilds. Queremos remover este conselho de curadores da responsabilidade por esses fundos."
Os curadores responderam afirmando que permanecem "comprometidos em trabalhar construtivamente com os membros para encontrar um caminho claro e proporcional". Um porta-voz disse que o conselho está revisando opções para moldar essa abordagem, garantindo que abordem as preocupações dos membros enquanto evitam duplicação desnecessária com a investigação da Comissão de Caridades. No entanto, críticos argumentam que essa resposta é insuficiente, dada a escala da suposta falha de governança.
Histórico da Instituição de Caridade e da Venda
Fundada em 1878 pela Cidade de Londres e 16 corporações de ofícios, a City & Guilds foi criada para desenvolver um sistema nacional de educação técnica. Ela cobra taxas por seus credenciamentos de empresas privadas de treinamento, com cerca de 60% de sua renda sustentada por esquemas estáveis de financiamento governamental. A instituição de caridade manteve um perfil bastante modesto durante grande parte de sua história, mas a atual polêmica representa o episódio mais recente no que tem sido um período turbulento de seis meses para a organização.
A venda para a PeopleCert em outubro de 2025 foi inicialmente apresentada como uma medida estratégica para garantir o futuro da instituição de caridade. No entanto, revelações subsequentes levaram a três investigações separadas: um voto liderado por membros por uma investigação independente, uma investigação estatutária da Comissão de Caridades aberta em janeiro e uma investigação interna encomendada pela PeopleCert. As investigações sobrepostas criaram confusão e frustração entre as partes interessadas.
Principais Preocupações de Governança
- Falta de transparência: Membros alegam que os curadores estão atrasando a investigação independente para evitar escrutínio.
- Conflito de interesses: A venda criou uma empresa privada de propriedade da PeopleCert, levantando questões sobre a independência futura da instituição de caridade.
- Risco financeiro: O fundo legado de £166 milhões está no centro da disputa, com pedidos para substituir o atual conselho de curadores por indivíduos mais bem preparados para restaurar a boa governança.
De acordo com as diretrizes da Comissão de Caridades, os curadores têm o dever legal de agir no melhor interesse da instituição de caridade e garantir a governança adequada. A investigação estatutária examinará se esses deveres foram violados durante o processo de venda. Especialistas em governança observam que tais falhas podem corroer a confiança pública e prejudicar a reputação da instituição de caridade por anos.
O Que Acontece Agora?
A investigação da Comissão de Caridades deve levar vários meses, com resultados potenciais incluindo sanções regulatórias ou recomendações para mudanças no conselho. Enquanto isso, o pedido dos membros por uma terceira investigação independente permanece sem solução. O compromisso dos curadores de "revisar opções" sugere que eles podem eventualmente cumprir, mas o atraso já alimentou alegações de obstrução.
Para o City & Guilds London Institute, os riscos são altos. A capacidade da instituição de caridade de continuar sua missão de apoiar o treinamento profissional depende de restaurar a confiança em sua governança. Como Neil Bates disse: "Precisamos de pessoas devidamente preparadas para restaurar a boa governança na organização City & Guilds."
Perguntas Frequentes
O que é o City & Guilds London Institute?
O City & Guilds London Institute é uma instituição de caridade vocacional de 148 anos fundada em 1878 para desenvolver a educação técnica no Reino Unido. Ela fornece credenciamentos para empresas privadas de treinamento e depende de financiamento governamental para cerca de 60% de sua renda.
Por que a venda de £166 milhões é controversa?
A venda do negócio de treinamento e credenciamento da instituição de caridade para a PeopleCert em outubro de 2025 foi inicialmente elogiada, mas depois gerou preocupações sobre falhas de governança. Membros alegam que os curadores estão atrasando uma investigação independente, e a Comissão de Caridades abriu uma investigação estatutária sobre o acordo.
Quais são as consequências potenciais para os curadores?
Se a Comissão de Caridades encontrar evidências de má conduta, os curadores podem enfrentar remoção, penalidades financeiras ou desqualificação para atuar em conselhos de instituições de caridade. As investigações em andamento também podem levar a recomendações de mudanças estruturais dentro da organização.
