Cinco informações iniciais que vão te ajudar a chegar bem no fórum
Todos nós, ou quase todos, já chegamos ao Special Watches como novatos no mundo da relojoaria. E todos — embora
muitos neguem — já fizemos perguntas que, relidas anos depois,
nos tornam ferrenhos defensores de políticas de eliminação total da pegada digital.
Como isso nem sempre é possível, aqui estão cinco informações básicas que vão te ajudar.
Elas vão te poupar de futuras saias justas, caso você pensasse em fazê-las ou, o que é pior, afirmá-las com
convicção.
1.- Olha o relógio que herdei do meu avô. Ele carrega com o pulso!
Não. Relógios automáticos NÃO carregam com a pulsação do seu pulso. Nem com o poder da sua energia mental, mesmo que você seja o Dr. Charles Xavier dos X-Men.
Relógios automáticos têm uma peça giratória em seu maquinário que, ao se mover, oscila e gira em um eixo conectado à mola, que acumula energia ao se contrair e a transmite ao se expandir, carregando e fazendo o relógio funcionar. Em posição de repouso e sem movimento, por mais ansiedade e taquicardia que você sofra, o relógio não vai carregar.
2.- Este relógio ficou anos numa gaveta; o relojoeiro me disse que não tinha conserto
Em 90% dos casos, o que o relojoeiro estava te dizendo é que ele não tinha vontade suficiente de se envolver, que não tem tempo para investir ou que, na verdade, mesmo que a placa da loja diga RELOJOARIA, a praia dele é vender acessórios e trocar pilhas; e quanto à capacidade técnica para consertar um relógio mecânico, mesmo que seja alguém da velha guarda. A grande maioria dos relógios mecânicos de médio e baixo custo tem conserto. A única coisa que você precisa é conhecimento, um pouco de paciência se precisar procurar uma peça e perguntar primeiro sobre o orçamento, para saber se você está disposto a assumi-lo. Tenha também em mente que a principal causa de um relógio mecânico parar ou funcionar mal é que o óleo que lubrifica seu maquinário secou. Isso é absolutamente normal, equivalente a fazer a revisão de um carro, e se resolve desmontando, lubrificando e remontando o relógio, uma questão que não deve acarretar, na ausência de reparo, um gasto excessivo. Uma vez revisado, o relógio funcionará bem por vários anos, salvo imprevistos.

3.- Os melhores relógios são os de quartzo: são muito mais precisos
Bem. Mais precisos, eles são, no geral, iguais aos relógios de sol (exceto à noite). Mas se a precisão subatômica é a única coisa que te interessa num relógio, você não precisa usá-lo. Por que mais você fica olhando para o celular o dia todo? Ele também mostra as horas; e ainda mais preciso que um relógio de quartzo. Um relógio de quartzo é para a relojoaria o mesmo que um uísque sem álcool é para um Macallan de 12 anos: parece bom (e mostra as horas), mas é outra coisa. Se você se interessa por relojoaria, vá direto para os relógios mecânicos.
4.- O mostrador diz 'resistente à água', posso mergulhar com ele na Fossa dasMarianas
Cuidado com isso, pois o arrependimento vem depois. Só com relógios preparados para isso você pode fazer mergulhos mais ou menos profissionais. E apenas relógios contemporâneos que indicam 200 metros/20 ATM ou mais são relógios preparados. Daí para baixo, no máximo respingos com a esteira na praia. E se estiver marcando menos de 100 m, eu recomendaria que não levassem nem respingos de uma bicicleta que passa numa poça. Sim, todos amamos relógios para usá-los, mas se a água entrar, acontece o que acontece: embaçamento, gotas no vidro e arrependimento de quem me mandou tomar banho com o relógio. Em relação a relógios antigos (vintage) que parecem preparados para isso, você deve garantir que um relojoeiro profissional os tenha tornado à prova d'água (processo de vedação hermética). Caso contrário, é melhor não arriscar, da mesma forma que com relógios mais atuais que foram abertos para revisão ou troca de pilha, por exemplo.
Ao contrário do que eu aconselharia para a vida em geral, quando se trata de relógios, é melhor não se molhar.
5.- Smartwatches são relógios
Não.
.